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Requalificação Urbanística e Arquitetônica de Mariana
Trevo – Rodoviária
Chegamos a uma cidade rara, única, numa cidade-arte, cidade-história. Este caráter dispensa ostentação, falsa grandeza. Mariana deve ser apreciada solenemente, com calma, com atenção – por isso diminuímos a velocidade. Os edifícios acompanham essa idéia e passam a ser menores, mais simples e mais integrados.
Os recursos de composição arquitetônica são: usar as horizontais, o verde, as cores do universo barroco. A grande área árida e impessoal em frente à Rodoviária dá lugar à rotatória com espaços gramados e muita arborização. Retiram-se as coberturas em policarbonato e os pórticos em alvenaria e pedra dão um novo caráter ao edifício.
Os acessos podem ser feitos agora diretamente nos dois pavimentos do edifício. No pavimento superior ficam os espaços de apoio turístico, venda de passagens e salão de eventos. No pavimento inferior continuam as áreas de embarque e desembarque de passageiros.
O tratamento paisagístico das encostas do entorno constitui um novo pano de fundo verde, amenizando a presença do edifício na cena urbanística.
Prefeitura – Centro de Artesanato
O edifício da Prefeitura não mantinha relação com o entorno, muito menos com a Estação Ferroviária. Paredes com a mesma pedra do embasamento da Estação retomam os alinhamentos e paralelismos. Brises metálicos colocam o edifício na sombra, deixando destacada pelo sol a Estação Ferroviária.
Recupera-se o traçado original da Praça Juscelino Kubitschek. Através dos vazios e transparências a praça prolonga-se no pavimento térreo com anfiteatro e varandões para os cafés e bares.
As visadas, agora, atravessam as superfícies antes opacas, gerando leveza e integração.
Continuando o piso da praça, uma rampa conduz ao Centro de Artesanato no segundo pavimento, espaço destinado à exposição da arte produzida em Mariana.
Centro de Convenções
Com a retirada do Ginásio Poliesportivo fica o vazio e logo nos vem a memória da Fiação e Tecelagem São José. Por isso, no Centro de Convenções, retomamos a antiga escala e a sua relação com o entorno, o ribeirão, a praça.
A forma do Centro de Convenções é simples, recuada do alinhamento, vazada em ritmos que rememoram as janelas da fábrica demolida. O castelo d`água referencia a chaminé de outrora e recompõe a relação iconográfica com a Torre da Estação.
Uma grande marquise conduz o público do passeio junto à Avenida Getúlio Vargas até o Átrio de Entrada com acesso independente aos Pavilhões de Feiras, Teatro e Setor de Convenções.
Os Pavilhões de Feiras podem funcionar em conjunto ou separadamente, tendo 1.600m2 de área total e capacidade para atender 1.500 pessoas, contando com saguão para recepção de público com áreas de apoio e café.
O acesso ao Teatro, para 520 lugares, é feito através de foyer que possui espaços de apoio para a realização de coffe-breaks e coquetéis durante os eventos.
O Setor de Convenções possui saguão para eventos, 2 auditórios para 150 lugares, que podem ser conjugados num auditório maior para 300 pessoas, e 6 salas de conferências para 50 pessoas cada, podendo também ser rearranjadas em diversos tamanhos, como num grande salão para 400 pessoas.
As docas para carga e descarga atendem diretamente todos os setores do Centro de Convenções, com acesso de serviço pela Rua André Corsino da Silveira independente do acesso de público. O estacionamento para público tem capacidade para 86 veículos.
Novo Ginásio Poliesportivo
A estrutura do edifício é a mesma do Ginásio Poliesportivo, tendo reduzida a sua altura total em 25%, portanto de 20 para 15 metros. Entretanto, foram acrescentados espaços novos para melhor capacitá-lo para usos culturais além dos esportivos.
Recuado do alinhamento seu acesso se faz pela Avenida do Contorno através de uma alameda arborizada por palmeiras até o grande portal de entrada.
O grande cilindro busca criar externamente a relação com a curva do Ribeirão do Carmo e internamente gera espaços protegidos para jardins que atuam como mecanismos de controle da ventilação e iluminação naturais, além de enriquecerem a ambientação das platéias.
O acesso de serviço é feito pela Rua São Vicente de Paula de forma independente da entrada de público. O estacionamento de público tem capacidade para 293 vagas para veículos.
Rua Nova
Com o acesso ao Centro Histórico passando a ser feito pela Rua Antônio Pacheco propõe-se um tratamento urbanístico e paisagístico de toda a rua, desde o novo trevo com a Rodovia dos Inconfidentes até a Igreja de São Pedro dos Clérigos.
O objetivo da proposta é requalificar as edificações da rua e neutralizar as características dissonantes do entorno através do uso de elementos construtivos tradicionais da cidade de Mariana, como os muros de pedra e a paleta de cores do universo barroco.
As calçadas serão alargadas e fechamentos em cercas-vivas e faixas para arborização eliminam a descontinuidade causada pelos lotes vagos, criando unidade paisagística. Muretas de pedra atuam como bancos e oferecem a pausa para o descanso e contemplação da paisagem.
A calma que Mariana pede para ser apreciada será conseguida também pela desaceleração do trânsito de veículos, através da troca da pavimentação asfáltica da rua por piso de pedra.
Nome do Projeto: Requalificação Urbanística e Arquitetônica de Mariana
Arquitetura: Gustavo Penna, Ricardo Gomes Lopes, Leticia Carneiro, Norberto Bambozzi, Laura Penna, Priscila Dias de Araujo
Local: Mariana – MG – Brasil
Ano do Projeto: 2005
Área Projetada: 15.000m2










